
Desde os tempos mais remotos, os organismos marinhos têm constituído importante recurso para as populações humanas, as quais os têm explorado com os mais diversos fins. Tal é o seu interesse que a exploração e o aproveitamento destes recursos tem aumentado a um ritmo exponencial, atingindo, a cada momento, os limites permitidos pela tecnologia à disposição. Durante muito tempo, as limitações de natureza tecnológica impediram que a capacidade do Homem para explorar o meio marinho superasse a do meio marinho para repor a quantidade retirada. Daí resultou a ideia de que os recursos marinhos, independentemente da intensidade com que eram explorados, seriam infindáveis. Contudo, na sequência do desenvolvimento da máquina a vapor e do progresso tecnológico que se lhe seguiu, desde as primeiras décadas do século XX, deu-se uma viragem que, a partir da década de 1950, demonstrou claramente quão falsa era essa crença. Até à actualidade, o acumular de conhecimentos sobre o funcionamento dos sistemas biológicos e sobre o comportamento dos mananciais de espécies-recurso explorados, tem conduzido ao surgimento de importantes ramos da biologia e da tecnologia marinhas especificamente voltados para a avaliação e gestão dos stocks de espécies com interesse económico – a Biologia Pesqueira – e para o desenvolvimento de técnicas para melhorar a produção de espécies-recurso em condições de cativeiro – a Aquacultura. Desenvolveu-se assim um corpo de conhecimentos que torna possível a gestão consciente e sustentável dos mananciais de organismos marinhos, e que permite minorar a necessidade de explorar tão intensamente os recursos selvagens sem implicar uma quebra na produção. Com um elenco de disciplinas nucleares que cobrem os vários aspectos de áreas como as dos recursos marinhos, da biologia pesqueira e da aquacultura, apoiados por um corpo de disciplinas de formação básica nas áreas da ecologia de peixes e crustáceos, algologia e detecção remota, e com a possibilidade de complementar os conhecimentos com recurso a disciplinas de outras áreas, o curso de Mestrado em Pescas e Aquacultura está dotado da flexibilidade necessária para que os alunos possam adaptar o currículo às suas necessidades e aspirações.